Your privacy on eXp
We use cookies to run this site and, with your consent, to measure how it is used so we can improve it. Accept, or customize your choice per category. Cookie Policy
Saiu esta segunda-feira o índice mundial de residencial prime que todos os consultores internacionais consultam antes de fixar preço em Lisboa. E o número que me fez parar o café: o metro quadrado do luxo em Lisboa fixou-se nos 14.600 euros em junho, mais 3,3% desde o início do ano. Madrid ficou nos 11.700 euros. Lisboa passou Madrid. Não é opinião minha, é o dado publicado esta semana.
O que isto significa quando estás à mesa com um cliente
Há dois anos, quando um comprador espanhol ou francês perguntava "porque é que Lisboa é mais barata que Madrid?", tinhas uma resposta fácil. Essa resposta morreu esta semana. Agora é ao contrário: Lisboa está mais cara que Madrid no segmento prime, e o teu cliente vai perguntar-te porquê. Se não souberes explicar isto em trinta segundos, ele vai achar que estás a inflacionar o preço, não que o mercado mudou.
As rendas contam a história completa
Este 14.600 euros é média de topo, não é o Chiado nem o Príncipe Real isoladamente, é o cesto completo do que o índice classifica como prime na cidade. Ainda assim, dá-te a régua para conversar com qualquer investidor que compare Lisboa com outra capital europeia.
As rendas residenciais prime em Lisboa subiram 7,6% no primeiro semestre de 2026. Entre as 30 cidades que este índice acompanha, só a Cidade do Cabo cresceu mais. Isto não é bolha, é escassez pura: procura internacional elevada, oferta nova que não acompanha o ritmo. Para a segunda metade do ano, a projeção é de mais 2% a 3,9%. Ou seja, quem está a pensar "espero que o preço baixe" está a apostar contra o próprio relatório que os investidores internacionais leem antes de te ligar.
Três coisas para levares para a próxima reunião
Memoriza os dois números: 14.600 euros em Lisboa contra 11.700 em Madrid. Um cliente que compara cidades vai testar-te com isto.
Explica a diferença entre valorização de venda (3,3% no ano) e valorização de renda (7,6% no semestre). São mercados distintos, com dinâmicas distintas, e clientes investidores fazem as duas perguntas.
Não vendas "vai continuar a subir" como promessa. Vende "a oferta está limitada e a procura não abrandou", que é o que o relatório diz e é verificável.
Regra de Ouro: quem chega à reunião só com "sinto que o mercado está bom" perde para quem chega com o número certo, a fonte certa e a data certa. Treinei mais de 7.200 agentes e a lição repete-se sempre da mesma forma. Esta semana, a fonte certa é 7 de setembro, o número certo é 14.600 contra 11.700, e a pergunta que o teu cliente vai fazer é "desde quando é que Lisboa passou Madrid?"
Já sabes a resposta. A questão é: já a treinaste antes que o cliente a faça primeiro?
Lisboa não ficou cara por acaso. Ficou cara porque o mundo decidiu morar cá. Quem vende sem saber isto, vende sempre a desconto.
Manda-me mensagem no Instagram, @nuno.venceslau, e diz-me: já sabias que Lisboa tinha passado Madrid no luxo antes de leres isto?!