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Há três semanas mostrei-te aqui a lista das dez casas mais caras à venda em Portugal. Topo da lista: 28 milhões de euros, em Malveira da Serra. Esta semana apareceu um negócio que faz esses 28 milhões parecerem preço de T2 em Odivelas...!!
O número que muda a escala toda
Uma quinta com palacete do início do século XX, na Grande Lisboa, está no mercado por 100 milhões de euros. Não é erro de impressão. Cem milhões. A propriedade tem 600 hectares, mais terreno do que muitos concelhos portugueses conseguem juntar em zona urbana consolidada, e reúne residência principal, edifícios de apoio e áreas por recuperar.
Achas que é exagero de vendedor?! Não é. É private segment a sério: os interessados até agora vêm dos Estados Unidos, do Médio Oriente, do Brasil e do Reino Unido, com patrimónios líquidos mínimos de 25 milhões de euros. Isto não é comprador que "vai pensar". É comprador que já fez due diligence antes de pegar no telefone.
Porque é que isto não é só notícia de jornal
É activo escasso a sério. Quintas com esta dimensão e história, dentro da Grande Lisboa, não se repetem todos os anos. Quando aparece uma, o mercado inteiro presta atenção, porque não há substituto directo para comparar preço.
É sinal de confiança internacional. Um family office ou uma família empresária do Médio Oriente não compra 600 hectares num país onde não confia no horizonte de 20 ou 30 anos. Isso não se improvisa numa apresentação de vendas.
É prova de que o topo do luxo em Lisboa continua a subir de patamar. Se em Agosto o topo nacional eram 28 milhões, e em Setembro aparece um activo a pedir 100, o mercado não estabilizou. Está a redefinir-se para cima, outra vez.
O que fazer com isto no teu negócio
Não te estou a dizer para ires angariar quintas de 600 hectares amanhã de manhã (se tens uma na carteira, liga-me, risos…). Estou a dizer-te para actualizares o mapa mental de onde está o dinheiro a sério em Lisboa.
Da próxima vez que um cliente teu de 2 ou 3 milhões hesitar no preço, tens um argumento novo em cima da mesa. O topo do mercado não está a negociar desconto, está a subir de escala. Quem compra hoje um activo de referência na Grande Lisboa não está a apostar contra o país. Está a apostar a favor dele, com décadas de horizonte.
Regra de Ouro
O preço do topo do mercado é o termómetro da confiança de quem tem opções em qualquer capital do mundo. Quando esse topo sobe de 28 para 100 milhões em poucas semanas, todo o resto da pirâmide de preços ganha um argumento de venda novo.
Guarda este número: 100 milhões de euros, 600 hectares, Grande Lisboa. Vais precisar dele na próxima vez que um cliente teu achar que os preços em Lisboa "já não têm para onde subir".
Manda-me mensagem no Instagram, @nuno.venceslau: achas que esta quinta se vende em menos de 12 meses, ou vai ficar anos à espera do comprador certo?!