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Seis Apartamentos. Dez Milhões de Euros. O Que Isso Revela Sobre Lisboa em 2026.
Na Rua Filipe Folque, nas Avenidas Novas, um promotor acaba de lançar seis apartamentos. Não seis edifícios, não seis andares — seis apartamentos, distribuídos por quatro pisos, num investimento total de 10 milhões de euros. Entrega prevista para o verão de 2028. É este o ritmo a que Lisboa se está a construir no segmento de luxo.
O Luxo Não se Fabrica em Série
O Filipe Folque 43 é um projecto de um family office — a Mello RDC, liderada por António Ribeiro da Cunha. Tipologias T2 a T5, dois duplexes, pavimentos em carvalho multicamadas, pedra natural, piscina e jardim de uso exclusivo, climatização VRV. A dois passos do Parque Eduardo VII e da Fundação Calouste Gulbenkian.
Não é uma mega-promoção. É o tipo de produto que define o mercado de luxo em Lisboa: pequeno, cuidado, bem localizado, construído por quem percebe o que o comprador exigente quer. Esta escala não é timidez — é honestidade sobre o que o mercado real suporta. O comprador de luxo em Lisboa não quer um entre duzentos. Quer um entre seis.
As Avenidas Novas: O Bairro que Muita Gente Ainda Está a Descobrir
Enquanto o debate sobre imobiliário de luxo em Lisboa se concentra em Príncipe Real, Chiado e Avenida da Liberdade, as Avenidas Novas têm vindo a afirmar-se silenciosamente como uma das localizações prime da cidade. Saldanha, Marquês de Pombal, El Corte Inglés — infraestrutura urbana completa, acessibilidade excepcional, e uma escala de boulevard que não existe em mais nenhum bairro lisboeta.
O preço por metro quadrado nas Avenidas Novas está ainda abaixo do Chiado ou de Santos. Mas a distância está a fechar-se. Quem está a comprar neste bairro agora está a comprar à frente da curva.
Em 35 anos neste mercado, aprendi a reconhecer o padrão: antes de um bairro aparecer em todas as listas, passa um período em que só quem presta atenção o vê.
A Aritmética do Défice
Portugal regista um défice anual de cerca de 14.000 unidades residenciais face à procura. No segmento de luxo, esse défice é estruturalmente mais agudo: constrói-se menos, demora-se mais, e o produto mediano não compete.
Os dados confirmam: o volume total de transacções imobiliárias atingiu 8,9 mil milhões de euros, com um crescimento de 15,5% só no segundo trimestre de 2025. Os preços no segmento de luxo em Lisboa subiram 4,4% em 2025 e a projecção para 2026 aponta para uma valorização entre 4% e 5,9% — quando a média global não vai além de 1,3%.
Não é difícil perceber a matemática: mais procura, menos oferta, preços a subir. O que é difícil é resistir à tentação de esperar por "uma boa oportunidade" quando o mercado já tem a resposta.
Quem Compra Bem em Lisboa Não Espera Pelo Óbvio
O Filipe Folque 43 vai encontrar comprador antes de estar concluído. Não porque tenha uma campanha de marketing agressiva — tem exactamente o oposto. Vai encontrar comprador porque existe uma camada de compradores em Lisboa — nacionais e estrangeiros — que percebe o valor de pagar por algo genuíno, escasso e bem feito.
Os americanos, britânicos e brasileiros que continuam a entrar neste mercado não chegam à procura do óbvio. Chegam à procura do real. E o real, em Lisboa, está cada vez mais difícil de encontrar.
Em 2026, esperar não é uma estratégia. É uma transferência de valor para quem já decidiu.
Em Lisboa, os bons imóveis não ficam à espera. São os compradores que ficam.