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Passei a manhã a reler o mesmo relatório três vezes, porque o número parecia inflacionado. Não estava. Em 2025, o mercado de luxo em Portugal transaccionou 41,2 mil milhões de euros, em cerca de 170 mil imóveis. É o valor mais alto desde 2021. E já estamos a meio de 2026 a falar dele como se fosse normal.
Não é normal. É um recorde. E tu devias estar a tratá-lo como tal.
Os números que confirmam que o "arrefecimento" é conversa de café
Volume total transaccionado em 2025: 41,2 mil milhões de euros.
Imóveis de gama alta vendidos: cerca de 170.000.
Preço médio por m² no 4.º trimestre: 7.945€, mais 8,5% em termos homólogos.
Valorização acumulada desde 2021: 35,8%.
Procura em 2025 face a 2024: mais 12%.
Lê o ponto 4 outra vez. 35,8% em quatro anos. Não é um pico, é uma tendência que já dura mais tempo do que muitas carreiras de agente imobiliário neste país (risos... mas é verdade, já vi entrar e sair gente nesse intervalo).
Regra de Ouro: um mercado que cresce 8,5% num único trimestre não está a arrefecer, está a filtrar quem não está preparado para o acompanhar.
Onde está o dinheiro a fugir da Avenida da Liberdade?
Já perguntaste aos teus clientes se conhecem Campolide? Ou Lumiar? Ou Carcavelos e Parede? Sabes que estas zonas aparecem agora como as novas áreas de ascensão do luxo, ao lado dos nomes óbvios como Cascais e Estoril?
A resposta que ouço em quase todas as formações que dou é sempre a mesma: "o meu cliente só quer Chiado ou Avenida." Isso era verdade em 2019. Não é verdade em 2026. Lisboa, Porto e Faro continuam a concentrar a maioria do imóvel de gama alta, mas dentro da própria Lisboa o mapa mudou. Quem só sabe vender os três bairros do costume está a competir por uma fatia do mercado, sozinho, contra toda a gente.
O que fazer com este recorde na próxima reunião
Actualiza o teu discurso de preço. 7.945€/m² é a nova referência trimestral, não os valores que ainda dizes de cor por hábito.
Leva ao cliente pelo menos uma opção fora do óbvio: Campolide, Lumiar ou Carcavelos. Se não o fazes, outro agente vai fazê-lo primeiro.
Estuda a subida acumulada de 35,8% desde 2021 e usa-a para justificar preço junto de quem ainda acha que "está caro." Não está caro. Está a valorizar-se há quatro anos seguidos.
Formei mais de 7.200 profissionais e digo sempre a mesma coisa nesta fase do ciclo: quem trata um recorde como sorte, não repete. Quem trata um recorde como padrão, constrói carreira em cima dele.