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Há uma lista de 30 cidades — as mais relevantes do mundo no imobiliário de topo — e Lisboa está agora entre as cinco com maior crescimento previsto. Ao lado de Seul, Tóquio, Madrid e Cidade do Cabo.
Em 2025, os imóveis de luxo em Lisboa valorizaram 4,4%. Para 2026, a previsão situa-se entre 4% e 5,9%. A média global das 30 cidades analisadas é 1,3%. Ou seja, Lisboa está a crescer três a quatro vezes acima do que acontece no resto do mundo neste segmento.
Não é uma notícia qualquer. É uma confirmação de algo que quem trabalha neste mercado sente há alguns anos. O que mudou é que agora está em números — e esses números têm consequências práticas para quem compra, vende ou investe.
O Que Sustenta Esta Valorização
Em 25 anos de imobiliário, aprendi que as percentagens de valorização são sempre consequência de algo. Nunca causa.
Em Lisboa, a causa é simples e estrutural: procura internacional crescente sobre uma oferta central praticamente fixa. No Príncipe Real, na Lapa, na Avenida da Liberdade — onde os preços já rondam os €7.000/m² — não se constroem novos edifícios. O edificado histórico é o que é. Do outro lado, chegam compradores dos Estados Unidos, do Reino Unido, e agora com expressão crescente do Médio Oriente. Não vêm atraídos por benefícios fiscais específicos — o Golden Visa para imóveis deixou de existir. Vêm porque querem estar aqui. É uma procura de convicção, não de conveniência fiscal. E essa é muito mais sólida.
O Mercado Está a Crescer em Novos Territórios
Há projectos novos em Lisboa que merecem atenção. Em Parque das Nações, o MIMA Living representa 180 apartamentos num investimento de €150 milhões. No Saldanha, o Vieira da Silva Luxury Living traz 62 apartamentos ao mercado. Em Marvila, edifícios industriais estão a ser reconvertidos em habitação de topo — algo que seria impensável há dez anos e que hoje tem procura real.
Mas mesmo com este volume de novos projectos, o défice anual de habitação em Lisboa anda perto das 14.000 unidades. A nova oferta não fecha essa diferença — diversifica a geografia do luxo dentro da cidade. O que esses projectos fazem é alargar o mercado para além do centro histórico. Não resolvem a escassez estrutural.
O Que Isto Muda Para Quem Age Agora
Se tem um imóvel de qualidade em Lisboa, o enquadramento é favorável. Compradores activos, oferta escassa, capital internacional a entrar — são os ingredientes que criam oportunidade para quem sabe vender.
Se está a comprar ou a investir, a questão não é "é um bom momento?". Em 35 anos nunca encontrei o momento perfeito na espera. Encontrei-o na qualidade do activo. Um imóvel bem localizado, com características genuínas, em Lisboa, tende a proteger e a crescer. Um imóvel mediano, mesmo no contexto mais favorável do mercado, tende a decepcionar.
Lisboa não apareceu neste mapa por acidente. É o resultado de anos de procura sustentada, de uma cidade que soube atrair sem perder identidade, e de um mercado prime que tem mais compradores com capacidade do que produto de qualidade disponível.
Isso não muda de um trimestre para o outro.