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Saiu esta terça-feira o Índice Global de Bolha Imobiliária da UBS, na sua 12.ª edição. Lisboa entrou pela primeira vez. Pontuação: 1,04. Sétimo lugar entre 23 cidades mundiais, na categoria de risco acrescido, ao lado de Miami, Dubai, Seul e Genebra. Só Zurique e Tóquio estão acima, em risco elevado.
Se ainda não tiveste um cliente a perguntar-te "isto não é uma bolha?", vais ter esta semana. Prepara a resposta antes de a pergunta chegar.
O que este índice mede, e o que não mede
A UBS não está a dizer que Lisboa vai colapsar amanhã. O índice cruza quatro sinais: desfasamento entre preços e rendimentos, desfasamento entre preços e rendas, crescimento excessivo do crédito e ritmo de construção. É um termómetro de desequilíbrio, não uma previsão de queda.
E os números que o justificam são claros. Os preços reais das casas em Lisboa subiram cerca de 7% ao ano, em média, na última década, o ritmo mais rápido entre todas as cidades analisadas. Só desde meados de 2025, a subida já ronda os 10%. A UBS atribui isto a dois factores: entrada de capital estrangeiro e escassez de oferta habitacional. Nada disto é novidade para quem trabalha no terreno. A novidade é ver isto quantificado num índice que qualquer investidor internacional consulta antes de negociar contigo.
A parte que quase ninguém está a citar
Enquanto os preços aceleravam, as rendas em Lisboa estagnaram. A UBS liga isto a uma mudança de política migratória mais seletiva, que travou o crescimento populacional na cidade. Resultado: procura de arrendamento a deslocar-se para zonas mais acessíveis fora de Lisboa, enquanto o segmento de compra, sobretudo o de topo, continua a subir puxado por capital que não depende de residência.
São duas dinâmicas diferentes a acontecer ao mesmo tempo, no mesmo mercado. Um cliente que só ouviu a palavra "bolha" no telejornal não sabe distinguir isto. Tu sabes. É essa a diferença entre um consultor e alguém que só mostra chaves.
O que fazes com isto numa reunião esta semana
Três coisas concretas:
Não desvalorizes a palavra "bolha" quando o cliente a usar. Confirma que existe um índice sério, explica os quatro critérios, e mostra que Lisboa está em risco acrescido, não elevado. A diferença entre 7.º e 1.º lugar interessa.
Separa sempre preço de compra e valor de renda quando falares de tendências. Quem confunde as duas conversas, confunde o cliente.
Usa a escassez estrutural como argumento, não a euforia. O índice associa a subida a falta de oferta e capital estrangeiro, não a crédito fácil como em 2008. É um argumento diferente, e mais sólido.
Regra de Ouro: quando o mercado começa a fazer manchete, os agentes dividem-se em dois grupos: os que fogem da palavra e os que a explicam. Treinei mais de 7.200 agentes ao longo de 27 anos neste setor, e a lição repete-se sempre: quem explica o mecanismo por trás do número ganha a confiança do cliente. Quem só repete "não te preocupes" perde-a.
Lisboa não entrou nesta lista por acaso, e sair dela também não vai ser por acaso. A pergunta não é se o teu cliente vai ouvir falar disto. É se vai ouvir de ti primeiro, ou de outro consultor que chegou preparado antes de ti.